Que o novo sempre venha!

Elis Regina canta "...O Novo Sempre Vem..." na música "Como Nossos Pais!"

Estive pensando com meus botões e quase fundindo o “célebro” (sei que é com “r”), sobre como e quais estratégias adotar para dar conta das necessidades quanto à produção, lançamento, divulgação e comercialização de um trabalho musical.

Há desvantagens óbvias para quem não tem CD. A mais evidente é a capacidade de ser representado por um objeto (o CD), o que se feitas tantas cópias, poderá levar o trabalho aos tantos lugares ao mesmo tempo, coisa que pessoalmente fica impossível.

Mas, para se gravar um CD são precisos recursos e asseguro que a maior parte dos músicos não os tem em abundância. Nesse ponto, a forma que se costuma pensar é a do patrocínio, porém mesmo quando se está enquadrado nas Leis de Incentivo, observa-se que a participação do empresariado não é tão comum, o que implica que a modéstia tome conta das primeiras iniciativas de quase todos, visto que elas costumam se realizar com recursos próprios.

Um dos principais fatores restritivos quanto à qualidade desses projetos é a incapacidade de se trabalhar com uma equipe de profissionais experientes, o que também compromete a transferência de conhecimento, forçando os novos navegantes a aprenderem com os erros. Ingenuamente pode-se pensar que talento baste para tudo, mas os Beatles só conquistaram sua excelência devido ao desempenho de Sir George Martin, o mundialmente famoso produtor musical inglês, que detinha a competência técnica para traduzir as ideias das composições e coloca-las na forma de gravação. Sugiro que vejam mais sobre George Martin, porque realmente seu papel foi preponderante na história dos Beatles.

A divulgação de trabalhos musicais incorre em despesas e mesmo a mais barata delas, a Internet, ainda demanda a produção de fotos, vídeos, textos, sites e perfis nas redes sociais, tudo o que de certa forma fica melhor se produzido por bons profissionais, o que eleva os custos.

Mas a grande divulgação mesmo acontece através da contratação de uma boa assessoria de imprensa e da veiculação do trabalho nas emissoras de rádio e de televisão, que já não têm mais espaço para armazenar os milhares de CDs e DVDs que recebem diariamente e, cujo critério para seleção dos que serão veiculados pode acontecer através da contratação de espaços, ou seja, o jabá.

Mas mesmo que um trabalho tenha compreendido todas as etapas necessárias e que o dinheiro não tenha sido um fator limitante, aí vem uma das partes mais importantes… Qual é? O público vai absorver sua proposta (gostar) e o trabalho vai “vingar”? Esse é o grande “x” da questão, porque hoje vivemos um momento histórico em que parece se cultuar grandes chavões e manter repetitivos os mesmos nomes e as mesmas músicas. “Elis Regina” cantava que “o novo sempre vem”, mas ela não viveu para presenciar esses tempos!

Acontece que a geração do “e” ao mesmo tempo que assimila gêneros outrora conflitantes, gostando de axé e de rock e, de samba e, de MPB e, de funk carioca…  parece ficar limitada à quantidade de artistas e músicas que se pode conhecer e gostar, como se fossem apenas 20 ou 30 em cada “moda”… O “e” deveria ser aplicado melhor!

Não sei ao certo qual pode ser a solução, mas numa entrevista sugeriram que os artistas deveriam se dispor a entrar na grande mídia, assim como na década de 1980 aconteceu com o rock nacional, mas aqui cabe a mesma pergunta que “Garrincha” fez ao seu técnico quando este descreveu uma jogada a ser feita, incluindo o drible de vários zagueiros e o feitio de um gol: “Eu já entendi, mas você já combinou isso com o João?” (João era o nome genérico pelo qual Garrincha chamava qualquer zagueiro  do time contrário)

A única coisa que sei é que uma andorinha não faz verão e, que além das bandas e músicos precisarem de união quanto a essa questão, o público também precisa participar desse processo através da simples “curiosidade” para ver o que está acontecendo e quem sabe, conhecer a música com a qual se casará, conhecerá seu par, irá se divertir, enfim… A música que irá embalar seus momentos de hoje e suas lembranças de amanhã!

Que “Elis Regina” se mostre certa e que o novo sempre venha!

Desejo um ótimo final de semana a todos!

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