A “Caretalização” do Brasil!

caretalização

Já se apercebeu de quantos “nãos” foram implementados nos últimos anos?

Antigamente um bom convite para momentos divertidos era o seguinte: Vamos tomar uma cervejinha e assar uma carninha? Hoje em dia, isso anda sendo traduzido da seguinte forma: Alguns alcóolatras vão se embriagar, ultrapassar os limites da nova Lei Seca (de trânsito) e consumir gordura animal em abundância, numa dieta hipercalórica, entupindo suas coronárias.

Imagine que essas pessoas se livrem dos grilhões da nova “moralidade” e cometam a heresia de fazer um churrasquinho. Agora, retire desse ambiente todas as piadas de caipira, baiano, cearense, mineiro, gaúcho, carioca, paulista, anão, português, índio, judeu, alemão, japonês, argentino, político, médico, negros, brancos, pobre, gay, gordo, careca, burro, loira…

Nosso churrasco está ficando assim: Só pode ter peito de franco, cerveja sem álcool, muita salada e assuntos politicamente corretos. Algo do tipo; a taxa de juros do Banco Central ou coisa que o valha… Divertido, né?

Mas vamos além com nossa inquisição moralista: Retiremos os jogos de cartas, bilhar e dominó porque também podem levar ao vício e vamos substituí-los por WAR, RPG, batalha naval, forca e Xadrez. Tá cada vez melhor, não é? Quer vir no meu churrasquinho? (risos)

A parte logística do churrasco também vai ter de passar por adequações e somados aos custos do carvão, peito de frango, vinagrete, pão, cerveja sem álcool, rúcula, endívia, brócolis e açaí, terá também o dos taxis (ou Van) para ir e voltar da festinha.

Quanto aos horários, todos terão de ser de dia, porque não podemos nem pensar em fazer barulho depois das 22h. Afinal, o PSIU (legislação antirruído da cidade de São Paulo) tá mais forte do que nunca! Quero lembrar que mesmo durante o dia também há regulamentação sobre o volume dos aparelhos de som, controlando o nível dos decibéis emitidos.

Então deveremos colocar um assessor jurídico ou um técnico de som nos churrascos?

Pois é, esse é o Brasil que estamos construindo, cheio de preconceitos anti-preconceitosos e transformando esse momento de falta de compreensão e de tolerância em legislação! Isso é grave, porque se dá conotações jurídicas e implicações cíveis e criminais severas a comportamentos quotidianos.

Há quem acredite que essas mudanças tenham de partir de decretos e leis, mas a verdade é que a educação é um processo, uma ação conjunta que parte do ceio familiar e passa pelas escolas. É um processo que precisa de manutenção diária, de insistência e que dá muito mais trabalho do que assinar um papel (a lei) e que por outro lado, dá muito menos repercussão na mídia (propagando política gratuita).

Entre escolher o dedicado trabalho diário e um projeto sério para educar a população (uma tarefa enorme), fica mais fácil e vantajoso criar leis, até inconstitucionais, visto que limitam a liberdade expressão.

Cuidado com isso, porque fomentar a intolerância e o hábito de usar argumentos e instrumentos jurídicos para tudo, pode fazer com que esse “bixinho social” cresça descontroladamente e se vire contra seu próprio criador. Um exemplo claro disso é o de Maximilien de Robespierre, líder da Revolução Francesa. Que após decapitar todos os inimigos da França, acabou perdendo a própria cabeça na guilhotina!

O entretenimento é necessário, trabalhamos muito e temos direito à diversão, arte, cultura, distração, convívio social e lazer!

Pegue o exemplo do churrasco e aplique a tudo, verão que as restrições já estão ficando perigosas e se tornando um instrumento de censura.

Pensem também na produção musical, no samba, na bossa nova, MPB e vários outros estilos. Se àqueles músicos e compositores não estivessem em estreito convívio social nas suas vidas boemias, talvez não tivéssemos as pérolas musicais de nossa história!

Isso sem contar o esvaziamento que toda a indústria do show business poderá sofrer em função do encarecimento de seus serviços. É… Trata-se de um ramo de prestação de serviço que gera toda uma gama de empregos e que, é claro, deve funcionar em consonância com as boas práticas, normas e legislação vigente.

Desta forma, bar também é cultura e ter cuidado com a caça às bruxas parece bastante aconselhável!

Que tenhamos um ótimo, divertido e revigorante final de semana!

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