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maio 11 2017

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Dona Marisa Não Gostava de Praia

Em mais um episódio obsceno e tragicômico da história desta pátria que expatria suas divisas para paraísos fiscais internacionais, o ex-presidente da república (Luiz Inácio Lula da Silva) nos brindou com outro espetáculo adicional de atuação ímpar e performática.

Mas pensando bem; talvez um dos clímaces de suas peripécias tenha se dado quando do sepultamento de sua companheira de militância e esposa. Oportunidade na qual ele conseguiu misturar o luto de um falecimento familiar com a propaganda da luta política e partidária, numa espécie de “comício de corpo presente”. Nesse dia percebi a indistinção dos assuntos (pessoais e profissionais) que há na psique desta persona.

Mas enfim, voltemos ao interrogatório desta última quarta-feira:

Nesse novo capítulo houve, enfim, o enfrentamento dos protagonistas dessa novela sem interminável que assistimos há anos, onde o Juiz Sérgio Moro interrogou Lula e este último seguiu trilhando o caminho das pedras, talhado, experimentado e consagrado pelo expert em “se safar”, Paulo Maluf.

Vejam; na época em que Lula seria apenas um manipulador de sindicatos em favor dos interesses patronais, traindo sua própria classe trabalhadora, segundo o depoimento de Emílio Alves Odebrecht (pai de Marcelo Odebrech), seu predecessor (Maluf) já pintava e bordava com o dinheiro público em plena “era dos generais”, durante a ditadura militar.

Mas que caminho das pedras é esse?! Para explicá-lo, faço questão de ilustrar com os três macaquinhos sábios, muito bonitinhos e simpáticos, abaixo:

Em linguagem verbal eles significam o seguinte: Não vi, não ouvi e não falei… E o que se viu no padrão das respostas oferecidas à praticamente todas as indagações feitas pelo Juiz Moro foi exatamente isso!

Chego a pensar que seria possível levar esses desenhos impressos num cartaz ou numa lousa no depoimento e, para cada pergunta o ex-presidente poderia simplesmente apontar para uma das opções “macaquísticas”. Mais ou menos da seguinte forma: “Não vi.” “Não ouvi nada.” “Não vou falar sobre isso.”

Mas Nando, você acha chegamos a esse ponto?! Sinceramente penso que passamos desse ponto e para enriquecer o texto, trago uma célebre e difamatória frase, atribuída ao general francês (Charles de Gaulle) que conduziu a resistência francesa na vitória conjunta com os aliados, contra a Alemanha de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Disse ele há mais de 50 anos: “O Brasil não é um país sério.”

Realmente observando o desenrolar de cada um dos escandalosos capítulos promovidos pelas altas esferas dos três poderes constituídos do Brasil, acabamos por ter de reconhecer que de fato deva nos faltar a seriedade. Ou quem sabe, deva faltar a seriedade aos excelentíssimos senhores e senhoras do seleto e pequenino grupo que conduzem os rumos dessa nação de 200 milhões de servos, que passam a vida a pagar impostos, reeleger os mesmos algozes e morrer nas filas do SUS.

Lembro-me de uma matéria da escola que chamava “educação moral e cívica”, mas na prática brasileira o que vivemos é uma rima de mau gosto, a “escravidão imoral e cívica”. Só que nos dias de hoje, a chibata vem na forma de boletos.

E sobre o argumento de Lula quando indagado sobre o tríplex do Guarujá (“Dona Marisa Não Gostava de Praia”), por favor, vejam a primeira foto que ilustra este artigo e concluam por si mesmos.

Novamente desejo a todos um ótimo, revigorante (sobretudo para os nossos fígados) e divertido final de semana!

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